2007/12/14 – Notícias do dia

RFID: por que a tecnologia ainda não decolou no Brasil? (23-07-2007)

Um dos mais otimistas é o gerente de engenharia de sistemas da unidade de negócio de mobilidade empresarial da Motorola (que comprou a Symbol), Gilberto Souza. Ele acredita que já em 2008 sairão do papel as primeiras iniciativas em produção com RFID. Mesmo assim, ele pondera que, de forma massificada, só veremos as etiquetas no mercado em quatro ou cinco anos. Por enquanto, o executivo diz que não há volume que justifique o interesse e os investimentos.”No Brasil, o valor da etiqueta é o dobro do mercado norte-americano, onde custa entre cinco e 25 dólares”, acrescenta. Outro fator que justifica o atraso, segundo ele, são as regras brasileiras. Souza afirma que a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) criou uma faixa de freqüência exclusiva para o RFID, diferente do resto do mundo. “Isso exigiu investimento dos fabricantes e alterações de engenharia, fatos que postergaram a adoção da tecnologia”, diz.

Ele lembra que atualmente até existem projetos de RFID no País, mas apenas com soluções proprietárias embutidas, como o sistema de pedágio “Sem Parar” das rodovias. Com o padrão internacional Código Eletrônico de Produto (EPC), nada está em prática localmente, por enquanto.

A associação responsável pela implementação desse padrão, a GS1, afirma que tem trabalhado desde 2003 para que a adoção do RFID nas empresas instaladas no Brasil aumente, mas que, depois da fase de conhecimento da tecnologia, estamos vivendo o momento de testes e provas de conceito. “Por enquanto, cada empresa está cuidando dos investimentos de seu lado”, analisa o gerente de soluções de negócio da GS1, Roberto Matsubayashi.

O executivo considera que os projetos ainda não saíram do papel porque as empresas estão cautelosas e alertas depois do trauma da bolha da internet, o que se soma ao fato de que os leitores não estão 100% precisos. Por conta disso ele aposta que apenas em 2010 haverá um salto no número de adoções.

“Sabe-se que as empresas estão estudando qual é o momento adequado para entrar nessa nova era”, garante. Mais conservador, o ECR Brasil – movimento global de empresas industriais, comerciais e integrantes da cadeia de abastecimento que atua na busca de padrões comuns – também avalia que não só a adoção do RFID está devagar no Brasil, como que vai continuar assim.

O superintendente do grupo, Cláudio Czapski, enumera razões pelas quais acredita no ritmo lento. O primeiro motivo, segundo ele, é a lógica do hemisfério norte, que se diferencia da nossa realidade. “O RFID exige investimento inicial alto, cujo retorno vem com a redução no custo de mão-de-obra ao longo da cadeia – mas como por aqui o preço do trabalho é baixo, o retorno demora mais”, explica.

Entre os outros fatores Czapski cita a falta de escala, que não combina com os altos volumes necessários para o RFID, o custo de 20 centavos de real que não é adequado para produtos de baixo custo e também o perfil de cópia do Brasil, que prefere aguardar os resultados em iniciativas estrangeiras, para começar os investimentos.

Finalmente, o executivo lembra os problemas da solução. “Em um ambiente de logística, pode ter leitores de caminhões com alcance entre quatro e cinco metros, o que não pode se repetir em um supermercado, porque vários carrinhos de compras seriam lidos simultaneamente”, explica.

Por conta de tantas razões, Czapski aposta que vai levar entre oito e dez anos para existirem produtos com etiquetas ao longo da cadeia. “Só vai massificar quando se pagar”, define.

Quatro fatores determinam o que vai motivar a adoção e fazer com que sejam superados esses desafios, de acordo com o profissional da ECR Brasil:
1. Quando for proposto um valor adicional ao sistema, como a identificação de produtos pirata, por exemplo;

2. Exigência de algum mercado específico, como no caso europeu de carne brasileira;

3. Quando tiver risco de perda de um grande cliente ou;

4. Para garantir controle de inventário

O começo do uso do RFID poderá ocorrer, no entanto, com a compra de um serviço e não com a adoção propriamente dita, para fins de rastreabilidade. A Chep acredita nisso e, neste mês, terá um servidor local pronto para fazer a leitura de ativos a partir do Brasil também. Até então, o gerenciamento de informações era feito a partir dos Estados Unidos e Austrália.

Assim, as empresas vão dispor de um serviço para controlar seus ativos e evitar que o material de contentores fique esquecido em estoques e perca prazos de validade, por exemplo. Portanto, nesse caso, o atrativo do RFID deixa de ser apenas o rastreamento de produto, mas sim as informações correspondentes.

A previsão de que os projetos deverão sair do papel nos próximos dois anos parece ser verdadeira. Em 2009 entra em operação na siderúrgica ThyssenKrupp Steel um sistema logístico que usa solução RFID fornecida pela Sybase.

Segundo a companhia, a infra-estrutura de software será utilizada pela companhia em sua nova usina siderúrgica, na baía de Sepetiba, no Brasil, assim como no porto de Duisburg (Alemanha), para a identificação automática de chapas de aço e otimização do processo de entrega dos produtos.

Mesmo com projetos desse tipo, os profissionais do mercado concordam que quem vai liderar o início das adoções da tecnologia e a implementação em massa das etiquetas de identificação por radiofreqüência são grandes redes como Wal-Mart, Pão-de-Açúcar e Carrefour, juntamente com empresas de distribuição. Quem vai sair na frente, no entanto, é um mistério, apesar de a largada ter sido dada.

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